Nasce hoje um portal de jornalismo independente para investigar o que a imprensa capixaba aprendeu a não enxergar. Esta é a nossa promessa — e a primeira lista do que vamos apurar.

Editorial Capital Secreta



Existe uma pergunta que ninguém no Espírito Santo está fazendo em voz alta: quem fiscaliza quem governa?

Não é uma pergunta retórica. É uma pergunta com endereço. O estado tem um orçamento anual que ultrapassa a casa das dezenas de bilhões de reais. Tem 78 prefeituras, uma Assembleia Legislativa, dezenas de secretarias, autarquias, fundações e empresas públicas. Tem contratos, licitações, nomeações e convênios sendo assinados todos os dias. E tem uma imprensa que, na maior parte, depende financeiramente das mesmas estruturas de poder que deveria vigiar.

Esse é o problema que o Capital Secreta nasce para enfrentar.

O que somos

Somos um portal de jornalismo independente. A palavra “independente” aqui não é enfeite — é o nosso modelo de negócio e a nossa linha editorial ao mesmo tempo.
Nascemos com a premissa de não receber verba de publicidade institucional do governo do estado, de prefeituras ou de qualquer órgão público. Assim, não dependemos de contratos com a administração para pagar nossas contas. Essa escolha tem um custo, e nós o assumimos por inteiro: é ela que garante que nenhuma reportagem nossa vá recuar diante de um telefonema, e que não vamos nos “silenciar” em virtude de “patrocínios”.

Quem acompanha o noticiário capixaba sabe do que estamos falando. Boa parte dos veículos locais sobrevive de receita publicitária paga pelo próprio poder público. Não é segredo, não é teoria — é assim que o mercado de mídia regional funciona há décadas. O resultado é previsível: investiga-se pouco quem assina o cheque. As pautas que importam — a execução do orçamento, o destino das emendas, os critérios das nomeações, a real efetividade das obras — ficam para depois. E “depois” nunca chega.

Nós existimos para encurtar esse “depois”.

O que não somos

Não somos um panfleto. Jornalismo de opinião tem o seu lugar, e teremos colunistas com posições claras. Mas reportagem é outra coisa: é apuração, é documento, é o direito de resposta respeitado, é a informação verificada antes de publicada. Quem procura aqui um espaço de militância automática vai se decepcionar. Quem procura fatos apurados com rigor, ainda que incômodos, está no lugar certo.

Também não somos inimigos de ninguém em particular. Somos adversários de uma única coisa: a opacidade. Governo que presta contas com transparência terá no Capital Secreta um veículo justo. Governo que esconde, dificulta o acesso à informação ou trata dinheiro público como assunto privado terá um problema.

Um pacto com o leitor

O Capital Secreta se sustenta com receita 100% comercial e privada, e isso nos obriga a um compromisso diário: ser bom o suficiente para que valha a pena nos ler. Não temos um patrono no Palácio Anchieta nem na prefeitura. Temos o leitor. É a sua atenção, a sua confiança e o compartilhamento das nossas reportagens que nos mantêm de pé.

Em troca, assumimos três compromissos públicos:

Apurar antes de publicar. Toda informação passa por verificação, e todo citado tem direito de resposta garantido.

Mostrar a fonte. Sempre que possível, o documento que embasa a reportagem estará disponível para o leitor conferir.

Corrigir quando errarmos. Jornalismo é feito por gente, e gente erra. Quando isso acontecer, a correção será clara e visível — não escondida no rodapé.

O Espírito Santo merece uma imprensa que olhe para o poder sem pedir licença. Esse é o jornalismo que o poder não quer que você veja. A partir de hoje, ele tem onde ser feito.

Bem-vindo ao Capital Secreta.


O Capital Secreta é um portal de jornalismo independente do Espírito Santo. Não recebemos verba publicitária de órgãos públicos. Tem uma denúncia, um documento ou uma pauta? Escreva para a nossa redação — o sigilo da fonte é absoluto.